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O PAI

2014 julho 24 by

O PAI,

Rubens Alves

………….Lembrei-me dos meus sentimentos antigos de pai, diante dos meus filhos adormecidos. Veio-me à mente a imagem de um “ninho“. Bachelard, o pensador mais sensível que conheço, amava os ninhos e escreveu sobre eles. Imaginou que, “para o pássaro, o ninho é indiscutivelmente uma cálida e doce morada. É uma casa de vida: continua a envolver o pássaro que sai do ovo. Para este, o ninho é uma penugem externa antes que a pele nua encontre sua penugem corporal.“ Era isso que eu queria ser. Eu queria ser ninho para os meus filhos pequenos. Queria que meu corpo fosse um ninho-penugem que os protegesse, um ninho que balança mansamente no galho de uma árvore ao ritmo de uma canção de ninar…

Que felicidade enche o coração de um pai quando o filho que ele tem no colo se abandona e adormece! Adormecida, a criança está dizendo: “tudo está bem; não é preciso ter medo“. Deitada adormecida nos braços-ninho do seu pai ela aprende que o universo é um ninho! Não importa que não seja! Não importa que os ninhos estejam todos destinados ao abandono e ao esquecimento! A alma não se alimenta de verdades. Ela se alimenta de fantasias. O ninho é uma fantasia eterna. Jung deveria tê-lo incluído entre os seus arquétipos! “O ninho leva-nos de volta à infância, a uma infância!“ (Bachelard). Aquela cena, a criança adormecida nos braços do pai, nos reconduz à cena de uma criancinha adormecida na estrebaria de Belém! Tudo é paz! Desejaríamos que ela, a cena, não terminasse nunca! Que fosse eterna!………………..

 

ninho colibris

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Páscoa

2014 abril 16 by

TEXTO PASCOA 2014_001

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A casa e seu espaço

2014 março 7 by

Desde suas origens, o homem busca abrigo contra os animais selvagens, as intempéries, a ira dos deuses.

Ao longo do tempo aprende a extrair da natureza o barro, a pedra, a madeira, com que edifica sua casa, sua civilização. Preocupa-se com a higiene, busca conforto e alcança, gradativamente, bem-estar maior em sua morada. A habitação humana é assim um dos principais estratos através dos quais se identifica o estágio da cultura de um povo.

A casa rural mineira é uma prova de como o homem é capaz de edificar um abrigo incrivelmente simples e belo. Ela se integra à paisagem. Todo aquele conjunto-casa, puxada de forno de barro, galinheiro, curral, pocilga-mantém perfeita harmonia com o relevo. Sua construção, baseada no trabalho criador do homem simples do campo, desperta o nosso afeto e o nosso encantamento. São soluções já consagradas pelo tempo. É a arquitetura da roça, delicada e bela. Uma casa modesta, mas sólida e espaçosa, herança singela de um Portugal de aldeias e aldeotas.

Texto extraído do livro: Casa Rural Mineira

Paulo Rogério Ayres Lage

Djalma Pinto de Almeida

post 03.2014

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